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sexta-feira, 23 de julho de 2010

VIDA E OBRA DE FILOSOFOS

1. ANAXIMANDRO DE MILETO.
Filósofo e astrônomo grego, Anaximandro nasceu em 610 a. C., em Mileto (actual Turquia), onde também teria morrido, em 547 a. C. Sabe-se que era discípulo de Tales, e o historiador Apolodoro de Atenas refere-se a ele, vivo, em 546 a. C.. São-lhe atribuídas a descoberta da obliqüidade da eclíptica, a introdução do quadrante solar e a invenção de mapas geográficos.

Mileto foi uma importante cidade da Ásia Menor, no sul da Jônia, fragilizada pelos conflitos de ordem política. Conquistada pelos lídios, acabou sendo parcialmente destruída pelos persas. Mileto teria conhecido uma nova fase de progresso durante o período imperial de Roma. Depois, no final do século 10, teria sido destruída por um terremoto.

Anaximandro pertenceu à Escola de Mileto, fundada por Tales (640 a. C. - 545 a. C.), responsável por formular a primeira teoria cosmológica, sobre a origem e a formação do mundo.

Segundo Anaximandro, o princípio, ou elemento primordial, era o "ápeiron", infinito ou indeterminado, a matéria eterna e indestrutível, da qual provêm todos os seres finitos e determinados, e na qual os contrários - como o quente e o frio, o seco e o úmido -, em luta uns com os outros, são finalmente reabsorvidos.

Anaximandro também tratou da origem dos seres vivos, que teriam vindo do barro e formariam seqüência desde o mais simples até o homem, surgido de um ser pisciforme.

A Anaximandro se atribui a medição dos solstícios e dos equinócios, trabalhos para determinar a distância e o tamanho das estrelas - e a afirmação de que a Terra é cilíndrica e ocupa o centro do Universo.









2. TALES DE MILETO
Tales de Mileto foi o primeiro filósofo ocidental de que se tem notícia. Ele é o marco inicial da filosofia ocidental. De ascendência fenícia, nasceu em Mileto, antiga colônia grega, na Ásia Menor, atual Turquia, por volta de 624 ou 625 a.C. e faleceu aproximadamente em 556 ou 558 a.C..
Tales é apontado como um dos sete sábios da Grécia Antiga. Além disso, foi o fundador da Escola Jônica. Considerava a água como sendo a origem de todas as coisas, e seus seguidores, embora discordassem quanto à “substância primordial” (que constituía a essência do universo), concordavam com ele no que dizia respeito à existência de um “princípio único" para essa natureza primordial.
Entre os principais discípulos de Tales de Mileto merecem destaque: Anaxímenes que dizia ser o "ar" a substância primária; e Anaximandro, para quem os mundos eram infinitos em sua perpétua inter-relação.
No Naturalismo esboçou o que podemos citar como os primeiros p-assos do pensamento Teórico evolucionista: "O mundo evoluiu da água por processos naturais", aproximadamente 2460 anos antes de Charles Darwin. Sendo seguido por Empédocles de Agrigento na mesma linha de pensamento evolutivo: "Sobrevive aquele que está melhor capacitado".
Tales foi o primeiro a explicar o eclipse solar, ao verificar que a Lua é iluminada por esse astro. Segundo Heródoto, ele teria previsto um eclipse solar em 585 a.C. Segundo Aristóteles, tal feito marca o momento em que começa a filosofia. Os astrônomos modernos calculam que esse eclipse se apresentou em 28 de Maio do ano mencionado por Heródoto.
Se Tales aparece como o iniciador da filosofia, é porque seu esforço em buscar o princípio único da explicação do mundo não só constituiu o ideal da filosofia como também forneceu impulso para o próprio desenvolvimento dela.
A tendência do filósofo em buscar a verdade da vida na natureza o levou também a algumas experiências com magnetismo que naquele tempo só existiam como curiosa atração por objetos de ferro por um tipo de rocha meteórica achado na cidade de Magnésia, de onde o nome deriva.





A Cosmologia

Os fenícios – através de sua mitologia – consideravam os elementos da Natureza (o Sol, a Terra, o Céu, o Oceano, as Montanhas,etc.) como forças autônomas, honrando-os como deuses, elevados pela fantasia a seres ativos, móveis, conscientes e dotados de sentimentos, vontades e desejos. Estes deuses constituíam-se na fonte e na essência de todas as coisas do universo.

Tales foi um dos primeiros pensadores a alterar esses conceitos observando mais atentamente os fenômenos da natureza. A Phisis. O ponto de partida da teoria especulativa de Tales – como também de todos os demais filósofos da escola Jônica – foi a verificação da permanente transformação das coisas umas nas outras e sua intuição básica é de que todas as coisas são uma só coisa fundamental, ou um só princípio (arché).

Dos escritos de Tales, nenhum deles sobreviveu até nossos dias. Suas ideias filosóficas são conhecidas graças aos trabalhos de doxógrafos como Diógenes Laércio, Simplício e principalmente Aristóteles.

Em sua obra - Metafísica, Aristóteles nos conta: “Tales diz que o princípio de todas as coisas é a água, sendo talvez levado a formar essa opinião por ter observado que o alimento de todas as coisas é úmido e que o próprio calor é gerado e alimentado pela umidade. Ora, aquilo de que se originam todas as coisas é o princípio delas. Daí lhe veio essa opinião, e também a de que as sementes de todas as coisas são naturalmente úmidas e de ter origem na água a natureza das coisas úmidas”.
Em seu livro – Da Alma, Aristóteles escreve: “E afirmam alguns que ela (a alma) está misturada com o todo. É por isso que, talvez, Tales pensou que todas as coisas estão cheias de deuses. Parece também que Tales, pelo que se conta, supôs que a alma é algo que se move, se é que disse que a pedra (ímã) tem alma, porque move o ferro”.

Esse esforço investigativo de Tales no sentido de descobrir uma unidade, que seria a causa de todas as coisas, representa uma mudança de comportamento na atitude do homem perante o cosmos, pois abandona as explicações religiosas até então vigentes e busca, através da razão e da observação, um novo sentido para o universo.






3. ANAXIMENES DE MILETO
Anaxímenes de Mileto (588-524 a.C.) concordava com Anaximandro de Mileto quanto ao a-peiron, e com as características desse princípio apontadas por Anaximandro. Mas postulou que esse a-peiron fosse o Ar.

Foi discípulo e continuador da escola Jônica e escreveu sua obra: “Sobre a natureza”, também em prosa. Dedicou-se especialmente à meteorologia. Foi o primeiro a afirmar que a luz da Lua é proveniente do Sol.

Enquanto Tales sustentava a ideia de que a água é o bloco fundamental de toda a matéria, Anaxímenes dizia que tudo provém do Ar e retorna ao Ar. Era inquieto.
Adágio de Anaxímenes: "Exatamente como a nossa alma, o ar mantém-nos juntos, de forma que o sopro e o ar abraçam o mundo inteiro…"

A Cosmologia de Anaxímenes

Simplício em seu livro Física nos conta: “Anaxímenes de Mileto, filho de Eurístrates, companheiro de Anaximandro, afirma também que uma só é a natureza subjacente, e diz, como aquele, que é ilimitada, não porém indefinida, como aquele (diz), mas definida, dizendo que ela é Ar. Diferencia-se nas substâncias, por rarefação e condensação. Rarefazendo-se, torna-se fogo; condensando-se, vento, depois, nuvem, e ainda mais, água, depois terra, depois pedras, e as demais coisas provêm destas. Também ele faz eterno o movimento pelo qual se dá a transformação.”

A Terra, acreditava Anaxímenes, foi formada primeiro, e dela, ergueram-se as estrelas, dando a impressão de que estas são rarefações do fogo. A Terra era plana e boiava no Ar. O Sol também era “plano e largo como uma folha” e caminhava através do Ar.

De acordo com uma passagem isolada escrita pelo teólogo sírio Aécio, Anaxímenes pensava que as estrelas eram fixas como “pregos no cristalino”. Ele também alegadamente acreditava que as estrelas não produziam calor por causa de sua grande distância em relação à Terra, o que era uma visão mais acurada do que a de Anaximandro, que considerava as estrelas mais próximas da Terra do que o Sol.
A presunção feita por Anaxímenes de que o Ar estava eternamente em movimento, traz ao pensamento a noção de que o Ar possuía vida – uma crença razoável no contexto primitivo que sempre associou vida com sopro. Há evidências de que Anaxímenes fez analogias entre o Ar-divino que sustenta o Universo e o ar-humano, ou alma, que dá vida aos homens. Sobre isto, Aécio escreve: “Como nossa alma, que é ar, soberanamente nos mantém unidos, assim também todo o cosmo sopro e ar o mantém”.

Tal comparação, entre o macrocosmo e o microcosmo, permitiu a Anaxímenes desenvolver o argumento sobre a existência de uma única entidade – o Ar – a sustentar a diversidade de todas as coisas.

Anaxímenes e a Física Moderna

Anaxímenes diz que as coisas sólidas são ar condensado e que as mais rarefeitas são ar mais rarefeito (assim como a água para Tales, o ar deveria ser meramente uma metáfora do Ar, para Anaxímenes). E dá como exemplo o ar que sai da boca: se assopramos com os lábios mais apertados (fazendo beiço) o ar sai frio, e se "assopramos" com a boca aberta, sai quente.

"A variação quantitativa de tensão da realidade originária dá origem a todas as coisas" é uma forma de se dizer que todas as coisas são diferentes "formas" de Ar original. Isso é muito semelhante à teoria das supercordas, que diz que os quarks (partículas que formam todas as outras, inclusive elétrons, prótons e nêutrons) são como que vibrações de energia: as diferentes partículas seriam mais ou menos como frequências diferentes da vibração da energia (mais ou menos como as notas musicais são vibrações diferentes de um fio; a quarta corda do violão, se tocada enquanto se aperta na primeira casa, faz um dó, na segunda casa, um ré, e assim sucessivamente, porque quanto mais próxima a casa estiver do corpo do violão, maior vai ser a frequência da vibração da corda).

Se a teoria das supercordas estiver certa, Anaxímenes também estava. Pois, se chamarmos o Ar de energia, e sabendo que "quente" e "frio" são estados produzidos pela vibração dos elétrons (quanto mais os elétrons vibram, mais quente a coisa que eles compõem está), ele descreveu a teoria há muito tempo, utilizando expressões e imagens diferentes, como em uma analogia. (Para um estudo e análise mais detalhada sobre Anaxímenes cf. SPINELLI, Miguel. Filósofos Pré-Socráticos. Primeiros mestres da filosofia e da ciência grega. Porto Alegre: Edipucrs, 2ªed., 2003). Nao podemos confudir Anaximenes com Anaxagoras,são dois filosofos diferentes,com nomes parecidos.










4. HERÁCLITO DE EFÉSO
Heráclito de Éfeso (Éfeso, aprox. 540 a.C. - 470 a.C.) foi um filósofo pré-socrático considerado o "pai da dialética". Recebeu a alcunha de "Obscuro" principalmente em razão da obra a ele atribuída por Diógenes Laércio, Sobre a Natureza, em estilo obscuro, próximo ao das sentenças oraculares.

Na vulgata filosófica, Heráclito é o pensador do "tudo flui" (panta rei) e do fogo, que seria o elemento do qual deriva tudo o que nos circunda.

De seus escritos restaram poucos fragmentos (encontrados em obras posteriores), os quais geraram grande número de obras explicativas.

Dados biográficos

Heráclito nasceu em Éfeso, cidade da Jônia (atual Turquia). Diógenes Laércio relata que "Heráclito, filho de Blóson, ou, segundo outra tradição, de Heronte, era natural de Éfeso. Tinha uns quarenta anos por ocasião da 69ª Olimpíada (504-501 a.C.). Era homem de sentimentos elevados, orgulhoso e cheio de desprezo pelos outros".

Por seu desprendimento em relação ao poder e pelo desprezo que dedicava aos bens materiais, Heráclito não era simpático aos efésios, que eram exatamente o seu oposto. Foi, aliás, muito criticado por seus concidadãos quando conseguiu convencer o tirano Melancoma a abdicar para ir viver nos bosques, em livre contato com a natureza. Heráclito era acusado de desprezar a plebe, de se recusar a participar da política - essencial aos gregos) - e de desdenhar os poetas, os filósofos e a religião.

Nos últimos anos da sua vida, passou a viver ainda mais isolado, nas montanhas, alimentando-se somente de plantas. Quando adoeceu, atacado por uma hidropisia, Heráclito foi obrigado a voltar à cidade. Aos médicos, cujo conhecimento ridicularizava, perguntou se seriam capazes de transformar uma inundação em seca, aludindo à sua doença. Os médicos não entenderam e acabaram sendo expulsos por Heráclito. O filósofo resolveu então recorrer a um curandeiro que lhe aconselhou imergir-se no estrume pois o calor faria evaporar a água em excesso que havia em seu corpo. Foi um desastre: os cães de Heráclito não reconheceram o dono, inteiramente coberto de excrementos, e o atacaram, causando a sua morte. É possível também que a causa da morte de Heráclito tenha sido o sufocamento sob esterco de vaca. O historiador Neantes de Cízico (século III a.C.) afirma que, tendo sido impossível retirar o corpo de sob o esterco, lá permaneceu.








O pensamento de Heráclito

Os filósofos de Mileto (Tales, Anaximandro, Anaxímenes, entre outros) haviam percebido o dinamismo das mudanças que ocorrem na physis, como o nascimento, o crescimento e a morte, mas não chegaram a problematizar a questão.
Heráclito, inserido no contexto pré-socrático, parte do princípio de que tudo é movimento, e que nada pode permanecer estático - Panta rei ou "tudo flui", "tudo se move", exceto o próprio movimento.

Mas este é apenas um pressuposto de uma doutrina que vai mais além. O devir, a mudança que acontece em todas as coisas é sempre uma alternância entre contrários: coisas quentes esfriam, coisas frias esquentam; coisas úmidas secam, coisas secas umedecem etc. A realidade acontece, então, não em uma das alternativas, posto que ambas são apenas parte de uma mesma realidade, mas sim na mudança ou, como ele chama, na guerra entre os opostos. Esta guerra é a realidade, aquilo que podemos dizer que é. "A doença faz da saúde algo agradável e bom"; ou seja, se não houvesse a doença, não haveria por que valorizar-se a saúde, por exemplo. Ele ainda considera que, nessa harmonia, os opostos coincidem da mesma forma que o princípio e o fim, em um círculo; ou a descida e a subida, em um caminho, pois o mesmo caminho é de descida e de subida; o quente é o mesmo que o frio, pois o frio é o quente quando muda (ou, dito de outra forma, o quente é o frio depois de mudar, e o frio, o quente depois de mudar, como se ambos, quente e frio, fossem "versões" diferentes da mesma coisa).

Heráclito sustenta que só a mudança e o movimento são reais, e que a identidade das coisas iguais a si mesmas é ilusória: para Heráclito tudo flui (panta rei).
O panta rei é uma consequência de polemos (guerra, conflito), que reina sobre tudo. Em consequência, Heráclito de Éfeso não é o filósofo do "tudo flui" mas do "tudo flui enquanto resultado da tensão contínua dos opostos em luta".
A doutrina dos contrários

Dentro do pensamento de Heráclito, Deus não tinha a aparência de um homem nem de outro animal qualquer. Deus não era nem criador, nem onipotente. Heráclito limitava-se a identificá-lo com os opostos, os quais persistem apesar de suas mudanças e assim são capazes de compreender sua própria unidade.

"O Deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome; mas se alterna como o fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada um." Nesse argumento, podemos ver que Heráclito considerava as diversas divindades da mitologia grega, que eram adoradas pelos homens de seu tempo, como sendo apenas fogo misturado a diferentes tipos de incensos.

E a alma consiste apenas de mais uma rarefação do fogo e sofre as mesmas mudanças que todas as outras coisas também experimentam; e a morte traz a completa extinção da alma. "Para almas é morte tornar-se água, e para água é morte tornar-se terra, e de terra nasce água, e de água alma."
Novamente aqui, nesse raciocínio, vemos Heráclito descrever seus caminhos "para baixo" e "para cima".
5. PARMÊNIDES DE ELÉA
Filósofo pré-socrático (539 - 469 a. C.), matemático e poeta grego, natural de Eléia, hoje Vélia, na Magna Grécia, sul da Itália, entre o pontal Licosa e o cabo Palinuro, que inaugurou o pensamento metafísico que, sistematizado no platonismo, entende como ilusório o mundo dos sentidos.

Reconhecido já na antiguidade como um sábio importante, a maior figura da escola a que pertenceu, talvez o mais profundo de todos pressocráticos. Sabe-se que como legislador em Eléia, deu leis aos seus concidadãos, o que significa haver ocupado posição de destaque em sua cidade, uma então recente fundação dos jônios. Lá teria também fundado uma escola semelhante aos institutos pitagóricos, para o ensino da dialética, foi discípulo do pitagórico Amínias e seguidor de Xenófanesde Cólofon. Seus seguidores, os eleáticos, entre os quais o mais famoso foi Zenão (também escrito Zeno ou Zenon) de Elea, opunham-se às idéias numéricas dos pitagóricos, ao mobilismo de Heráclito e à toda a filosofia jônica, atacando os conceitos de multiplicidade e divisibilidade, defendendo, em oposição, a unidade e a permanência do ser.

Admirado por Aristóteles e por Platão, que deu seu nome a um dos Diálogos e em O Sofista o denominou de O Grande Parmênides. Formulou pela primeira vez o princípio de identidade, segundo ele o que está fora do ser não é ser, o não-ser é nada, portanto o ser é um. Sua principal e única obra conhecida e da qual ainda restam fragmentos, é um longo poema filosófico em duas partes e 150 versos, Da natureza ou Sobre a verdade, onde dois terços se referem à metafísica e um terço à física.

Defendia a forma esférica da Terra.










6. EMPÉNDOCLES DE AGRIGENTO
(492 - 432 a. C ) Político, filósofo, médico, místico e poeta grego, nascido em Aeragas, hoje Agrigento, na Sicília, cidade colonial grega no litoral sul da Sicília, então parte da Magna Grécia, no Mar Mediterrâneo, um dos notáveis defensores da teoria da constituição da matéria de Pitágoras, um profundo teórico da evolução dos seres vivos e considerado o primeiro sanitarista da história.

Primeiro filósofo nascido no Ocidente, para estabelecer um compromisso entre a doutrina eleática e a evidência comum dos sentidos, adotou todos os pontos até então considerados básicos e acrescentou-lhes um quarto, chamando-os de raízes das coisas, rizomata, que Aristóteles mais tarde os denominou de elementos. Substituiu, pois, a busca dos jônicos de um único princípio das coisas para interpretação do universo pelo de que "todos os fenômenos da natureza são resultado da mistura de quatro elementos: água, fogo, ar e terra".

Na sua concepção cosmológica com essas quatro substâncias, elas se uniriam sob a força de algo que os misturasse das várias formas. Para que isso ocorresse teorizou os seus dois princípios: o amor como fator de união, e o influxo do ódio para a divisão. Já Anxímenes considerara o ar como substancial, mas foi o cientista de Agrigento que provou sua existência material, através de experimentos envolvendo relógios de água, e o denominou de éter. Os mananciais e os vulcões seriam provas da existência de água e fogo no interior da Terra. Sob a influência eleática conceituou que as substâncias elementares seriam eternas e imutáveis e que não poderiam ser explicadas de outra maneira. Este princípio continua sendo empregado pela ciência até os dias de hoje, sem muita ênfase mas com ar de resignação. Em resumo o materialismo eleático afirmava o seguinte: "o que é, é; nada pode surgir do que não é, bem como o que é não pode converter-se em nada".

Visto na antiguidade como profeta e mago, em Carme Lustral apresentava-se como um profeta e mensageiro e foi também poeta, orador, além de competente médico. Como cientista seus conhecimentos foram notáveis em várias áreas do conhecimento em sua época. Ele descobriu, embora não se saiba como, que a luz requer tempo para se propagar e que a luz da Lua seria indireta. Do médico e pitagórico Alcmeão de Crotona, assumiu a teoria de que a saúde era um equilíbrio próprio entre componentes opostos, e que a doença manifestava-se quando um deles prevalecesse. Defendeu a teoria dos poros como passagens respiratórias do corpo, e a da visão como o encontro de um raio que emanava dos próprios olhos sobre as efluências do objeto. Como administrador notabilizou-se por suas pioneiras idéias sanitaristas e ambientais nas comunidades urbanas. Mandou construir sistemas de drenagem em várias localidades do mundo grego e, inclusive conseguiu deter uma epidemia de malária em Salinonto, acontecimento que mais tarde foi lembrado, de forma agradecida, nas moedas cunhadas naquela cidade. Como político notabilizou-se por se opor a oligarquia e defender a democracia, sendo por isso, desterrado e, lendariamente, teria morrido atirando-se no Etna para provar que era um deus. Outros afirmam que como um deus, quando morreu teria se elevado para o céu. Escreveu dois poemas em jônico: Sobre a natureza e Katharmoi (as purificações), do qual resta somente uma centena de versos.
7. ANAXÁGORAS DE CLOZOMENE
Anaxágoras (c. 500 - 428 a.C.),nativo de Clazomene, nas proximidades de Esmirna, é filósofo grego pré-socrático da escola jônica nova.

Foi também o primeiro filósofo jônico a se estabelecer em Atenas, cerca do ano 480 a.C., razão do porque de sua importância no desenvolvimento ulterior da filosofia, sobretudo de Sócrates (c. 500 - 428 a.C.) Platão (c. 500 - 428 a.C.), Aristóteles(c. 500 - 428 a.C.).

Mas não poderia ter sido ouvinte imediato de Anaxímenes, porque este último dos três milesianos já era então falecido, não obstante a afirmação de Diógenes Laércio que "ele foi discípulo de Anaxímenes"

Quanto à Empédocles, seu contemporâneo mais novo, mas do Ocidente, informa a respeito Aristóteles: "Anaxágoras de Clazomene, pela sua idade mais velho que Empédocles, mais jovem pelas suas obras..." (Metaf. 984 a 11).

Pela indicação das olimpíadas nasceu em 500 a.C. e morreu em 428 a.C., o que confere também com a idade de 72 anos e a invasão de Xerxes, rei da Pérsia, quando, em 480 a. C., ocorreu a batalha de Termópilas. Quanto à indicação de que permanecera 30 anos em Atenas, não implica em serem 30 anos sem interrupção, mas uma soma de 30 anos. Se fossem 30 anos a partir dos seus 20 anos, teria estado em Atenas de 480 a 450 a.C. É possível que se tenha estabelecido em Atenas por ocasião da movimentação de tropas, ocasionada pela invasão de Xerxes. Seguramente esteve em Atenas nos últimos anos de sua vida, quando fora acusado de impiedade.

Os detalhes sobre a pessoa de Anaxágoras são conhecidos praticamente só pela biografia legada por Diógenes Laércio, à qual se acrescentam algumas indicações de outros filósofos.

"Anaxágoras de Clazomene, filho de Hegesíbulo ou Eubulo, foi ouvinte de Anaxímenes e o primeiro que atribuiu inteligência à matéria, como diz no começo de seu tratado, que foi composto em linguagem atraente e elegante. Todas as coisas estavam juntas; então veio a inteligência e estabeleceu a ordem.
Por esta razão ele foi apelidado Inteligência, porque, segundo ele, a Inteligência reuniu os elementos dispersos que antes estavam em caos.
Ele era eminente pela riqueza e por nascimento, e além disto magnânimo, ao ponto de renunciar seus bens em favor dos seus domésticos.
Aos que o acusavam de negligência, replicava:
- E vós, por que não sois mais diligentes?
Finalmente retirou-se e se dedicou à investigação da natureza, sem se preocupar com as coisas públicas.



Começou a filosofar em Atenas no arcontado de Cálias, na idade de 20 anos, conforme declara Demétrio de Falera em sua Lista de arcontes. E ali permaneceu 30 anos"

Os cincoenta anos de prosperidade de Atenas, entre o fim das guerras médicas (480 a.C.), ditas também contra os persas, e os insucessos iniciais da guerra do Peloponeso (431-404 a.C.), entre Atenas e Esparta, foram também os dos sucessos de Anaxágoras.
Um aluno de Anaxágoras se tornou o grande líder dos atenienses: Péricles (499-429 a.C.)

O fim de Anaxágoras. Quando Péricles declinou politicamente, por causa dos insucessos iniciais da guerra do Peloponeso, também veio o fim de Anaxágoras. É o que se depreende confusamente do texto de Diógenes Laércio. Nem se depreende algo melhor de outros, que também se referem ao fim de Anaxágoras.
"Sobre seu julgamento deram-se versões discordantes. Diz Sócion em sucessões dos filósofos, que foi acusado de impiedade por Cléon, porque declarara que o sol era uma massa de ferro incandescente. Tendo-o defendido seu discípulo Péricles, foi contudo condenado a pagar cinco talentos e banido.

Sátiro em Vidas diz que o seu perseguidor foi Tucídides, opositor de Péricles, o qual não somente o acusou de impiedade, mas também de traição; e que a sentença de morte foi declarada em sua ausência. Quando a notícia lhe foi levada, de que havia sido condenado e que seus filhos haviam sido mortos, seu comentário sobre a sentença foi: há já muito tempo a natureza condenou a meus juízos e a mim.
Sobre seus filhos: Eu sabia que meus filhos haviam nascido mortais.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ARGUMENTAÇÃO & PROPOSIÇÃO

INTRODUÇÃO
ARGUMENTAÇÃO
Desenvolvimento de um raciocínio com o fim de defender ou repudiar uma tese ou ponto de vista, para convencer um oponente, um interlocutor circunstancial ou a nós próprios.
A argumentação desenvolve-se em função de um destinatário, que influencia directa ou indirectamente a forma como evoluem os argumentos propostos. Argumentamos para persuadir alguém que, à partida, não partilha os mesmos pontos de vista ou as mesmas convicções que nós possuímos. Sem ferir a atenção do destinatário da argumentação, esta jamais poderá ser efectiva. É, pois, condição necessária o estabelecimento de um acordo que em nenhum caso pode ser tácito. A argumentação não é um acto de persuasão meramente psicológica de um auditório. Não nos serve nem a pretensão de eloquência de Isócrates nem a definição de Sócrates referida à tradição sofística da retórica como uma psicogogia ou "persuasão da alma" . Fedro inicia o "Diálogo sobre a Retórica" chamando a atenção para o seguinte: “Ouvi dizer que para quem deseja tornar-se um orador consumado, não se torna necessário um conhecimento perfeito do que é realmente justo, mas sim do que parece justo aos olhos da maioria, que é quem decide, em última instância. Tão-pouco precisa de saber realmente o que é bom ou belo, bastando-lhe saber o que parece sê-lo, pois a persuasão se consegue não com a verdade, mas com o que aparenta ser verdade.” . A estética da recepção de um discurso argumentativo exige uma outra filosofia.
PROPOSIÇÃO
Proposição é um termo usado em lógica para descrever o conteúdo de asserções. Uma asserção é um conteúdo que pode ser tomado como verdadeiro ou falso. Asserções são abstrações de sentenças não-lingüísticas que a constituem. A natureza das proposições é altamente controversa entre filósofos, muitos dos quais são céticos sobre a existência de proposições. Muitos lógicos preferem evitar o uso do termo proposição em favor de usar sentença.
Diferentes sentenças podem expressar a mesma proposição quando têm o mesmo significado. Por exemplo, "A neve é branca" e "Snow is white" são sentenças diferentes, mas ambas dizem a mesma coisa, a saber, que a neve é branca. Logo, expressam a mesma proposição. Outro exemplo de sentença que expressa a mesma proposição que as anteriores é "A precipitação de pequenos cristais de água congelada é branca", pois "precipitação de pequenos cristais de água congelada" é a definição de "neve".
Na lógica aristotélica uma proposição é um tipo particular de sentença, a saber, aquela que afirma ou nega um predicado de um sujeito.
DESENVOLVIMENTO
(PROPOSIÇÃO)
Proposições são usualmente consideradas como o conteúdo de crenças e outros pensamentos representativos. Elas também podem ser o objeto de outras atitudes, como desejo, preferência, intenção, como em "Desejo um carro novo" e "Espero que chova", por exemplo.
Também não é raro contrastar com a noção de proposição como conteúdo mental a noção de proposições russellianas. De facto, boa parte da discusão em torno da natureza da proposição, travada no século xx e contemporaneamente, oscila, e por vezes tenta conciliar, ambas noções.
Uma proposição é a afirmação de que algo é verdadeiro. De outro modo: uma proposição é uma afirmação que ou é verdadeira ou é falsa.

Usamos frases para exprimir proposições. Mas nem toda a frase é proposição: ordens, perguntas, conselhos só em casos especiais contêm proposições.
Exemplos:
1. As seguintes frases exprimem a mesma proposição:
o Está a chover.
o Esta llooviendo.
o It is raining.
o Il pleut.
2. As seguintes frases exprimem a mesma proposição:
o João ama Maria.
o Maria é amada pelo João.
Discussão: Faz sentido pensar numa proposição como o significado de uma frase. O significado de uma frase tem várias componentes:
• Denotação: o estado de coisas que a frase afirma ser o caso.
• Conotação: os sentimentos, ideias ou emoções provocadas pela frase no auditor.
• ênfase: a importância relativa que o autor atribui aos diferentes elementos da frase.
Por exemplo, na frase "O fogo enfurecia-se pelo monte" a denotação da frase é asserção de que um fogo ocorre no monte. A conotação é a de que isso deve ser temido (a palavra "enfurecia-se" implica cólera e perigo). O ênfase desta frase está no próprio fogo. Se tivéssemos escrito "Pelo monte enfurecia-se o fogo" o ênfase estaria no monte.
Os filósofos discutem bastante sobre o significado. Alguns dizem que o significado é apenas a denotação. Outros dizem que é a combinação apenas da denotação e da conotação. Outros ainda (incluindo Stephen Downes) dizem que o significado é a combinação dos três — denotação, conotação e ênfase.
Valor de Verdade
Uma proposição pode ter um dos seguintes valores de verdade:
• verdade
• falsidade
Os filósofos discutem muito sobre o que constitui a verdade. Por agora podemos usar uma caracterização muito simples:
• "P" é verdadeira se e somente se P.
• "P" é falsa se e apenas se não-P.
Exemplos:
• A proposição "A neve é branca" é verdadeira se e somente se a neve for branca.
• A proposição "A neve é branca" é falsa se e somente se a neve não for branca.
Por outras palavras, uma proposição é verdadeira se ela descreve correctamente um estado do mundo, e será falsa se descrever incorrectamente um estado do mundo. Isto é conhecido como A Teoria da Verdade de Tarski.









(ARGUMENTAÇÃO)
Oferecem-se neste apêndice alguns instrumentos complementares para a redacção e avaliação de argumentos. Os instrumentos aqui expostos são particularmente importantes para a redacção e avaliação de ensaios argumentativos em filosofia, onde o risco de errar não é amenizado pelos dados da experiência. Por este motivo, a ênfase é toda colocada nos argumentos dedutivos. O objectivo é oferecer aos estudantes, sobretudo os de filosofia, a possibilidade de exercer as suas faculdades críticas, argumentando a favor do que pensam acerca dos mais diversos problemas, teses e argumentos filosóficos.
A estrutura deste apêndice é a seguinte: as três primeiras secções tratam da validade de argumentos e da avaliação de condicionais; as duas secções seguintes apresentam duas falácias comuns que têm de ser detectadas e evitadas; introduz-se depois algum simbolismo lógico, assim como algumas regras de transformação, úteis para avaliar alguns argumentos filosóficos; o apêndice termina com dois exemplos de argumentos filosóficos que o leitor já pode agora avaliar, com os instrumentos oferecidos ao longo deste livro.
Validade e correcção
Um argumento dedutivo válido é qualquer argumento dedutivo que obedeça às regras da lógica, algumas das quais foram apresentadas no capítulo VI. A definição semântica de argumento dedutivo válido é a seguinte: um argumento dedutivo é válido se, e somente se, nos casos em que as premissas são verdadeiras, a conclusão também é verdadeira. Por exemplo:
Se o conhecimento é possível, os cépticos estão enganados.
O conhecimento é possível.
Logo, os cépticos estão enganados.
Dada a verdade das duas premissas, a conclusão é também verdadeira. Claro que se as premissas forem falsas, a conclusão tanto pode ser falsa como verdadeira. A validade dedutiva do argumento só nos garante a verdade da conclusão caso as premissas sejam verdadeiras. Por outras palavras, um argumento dedutivo válido garante que nunca podemos ter as premissas verdadeiras e a conclusão falsa.
Considere-se agora o seguinte argumento:
O mundo exterior existe.
O mundo exterior não existe.
Logo, Deus existe.
Pela definição dada, este argumento é válido, apesar de poder parecer o contrário. A indecisão nasce do facto de não ser possível atribuir a verdade simultaneamente às duas premissas, porque estas são inconsistentes. Mas já se torna claro o facto de este argumento ser válido se fizermos a seguinte consideração: precisamente pelo facto de as premissas não poderem nunca ser simultaneamente verdadeiras, segue-se que nunca podemos ter as premissas verdadeiras e a conclusão falsa. Logo, o argumento é válido, pois é isso precisamente que caracteriza os argumentos válidos.
Considere-se este outro argumento:
Deus existe.
Logo, o mundo exterior existe ou o mundo exterior não existe.
À primeira vista pode parecer que este argumento não é válido. Mas se tivermos mais atenção verificamos que se trata, de facto, de um argumento válido. Mais uma vez: dada a verdade da premissa, a conclusão pode ser falsa? Bom, é fácil ver que a conclusão nunca pode ser falsa. Logo, também não é falsa dada a verdade da premissa. Logo, é um argumento válido.
O objectivo destes dois exemplos de argumentos válidos que aparentemente não o são é distinguir a validade de um argumento da sua relevância. Apesar de os dois argumentos acima serem válidos, eles não são relevantes. Porquê? Porque o primeiro é válido à custa da inconsistência das premissas; e o segundo é válido à custa do facto de a conclusão ser sempre verdadeira. Temos assim de perceber que o que nos interessa num ensaio argumentativo, quer estejamos a escrevê-lo, quer estejamos a avaliá-lo, não é a validade dos argumentos tout court, mas um caso especial de validade, a que podemos chamar relevância. Assim, para decidir se um argumento é relevante, temos de usar a seguinte definição: um argumento dedutivo válido é relevante se, e somente se: 1) todas as premissas podem ser simultaneamente verdadeiras; 2) a conclusão pode ser falsa.
Perante um argumento dedutivo qualquer, o leitor deve usar a seguinte rotina para verificar a sua relevância:
1. Verificar se é um argumento válido, pela definição semântica dada.
2. Verificar se todas as premissas podem ser simultaneamente verdadeiras.
3. Verificar se a conclusão pode ser falsa.
Um argumento só é relevante se passar os três testes. Se passar apenas um ou dois, não é relevante.
Condicionais
As condicionais são canonicamente expressas na forma «Se..., então...». Mas a verdade é que existem muitas formas de exprimir condicionais. Esta secção oferece uma lista de algumas dessas formas.
O leitor deve recordar as regras 2, 4 e 6, assim como a regra C4: a clareza na exposição dos seus argumentos é fundamental. Algumas das formas de exprimir condicionais são de evitar, pois só servem para obscurecer o que de outra forma seria uma condicional facilmente compreensível — e também facilmente criticável. Esta secção é útil para avaliar argumentos cuja estrutura lógica está escondida (geralmente atrás de uma hecatombe lexical que impede o leitor de pensar, isto é, de avaliar criticamente o que o autor está a afirmar).
O primeiro facto: muitas vezes, o «então» é elidido, como em
Se Deus não existe, a ética não é possível.
que significa precisamente o mesmo que
Se Deus não existe, então a ética não é possível.
Outros factos menos evidentes:
Se A, então B
pode exprimir se como
1. A somente se B.
2. A só se B.
3. A implica B.
4. A só no caso de B.
5. A só na condição de B.
6. A é condição suficiente de B.
7. B é condição necessária de A.
8. B se A.
9. Só se B é que A.
Não se deve usar a lista acima para fazer variar a forma como, ao longo de um ensaio, se exprimem condicionais. Lembre-se da regra 6, que se aplica também às partículas lógicas: se começou por dizer «Se A, então B», não afirme de seguida «C só se D», para tornar o texto variado; afirme antes «Se C, então D». Um texto não é um espectáculo de variedades e a elegância literária não vale nada se for conseguida à custa da clareza, porque é uma forma luminosa para um conteúdo obscuro (é como um automóvel com uma excelente pintura, mas com o motor avariado).
O que costuma fazer mais confusão são as noções de condição necessária e condição suficiente. A lista acima permite saber exactamente o que é uma condição suficiente (a antecedente de uma condicional) e uma condição necessária (a consequente de uma condicional). Mas os exemplos seguintes tornarão claras estas noções:
Estar inscrito em Filosofia é uma condição necessária para passar a Filosofia. Mas estar inscrito em Filosofia não é uma condição suficiente para passar a Filosofia.
Ter 10 valores é uma condição suficiente para passar a Filosofia. Mas ter 10 valores não é uma condição necessária para passar a Filosofia.
Argumentos e condicionais
Muitos argumentos são expostos sob a forma de uma condicional, como
Se não existir livre-arbítrio, a responsabilidade moral não é possível.
Para avaliar a verdade de uma condicional usam-se precisamente as mesmas regras que se usam para avaliar a validade de um argumento. A diferença consiste agora em tomar a antecedente da condicional em vez das premissas, e a sua consequente em vez da conclusão. Assim, uma condicional pode funcionar como um argumento válido se, e somente se, nos casos em que a antecedente é verdadeira, a consequente também for verdadeira. Por outras palavras, uma condicional pode funcionar como um argumento válido se, e somente se, for uma verdade lógica.
Note-se que uma condicional pode ter antecedentes ou consequentes complexos:
1. Se Deus e o mundo existem, então Deus existe.
2. Se Deus existe, então Deus ou o mundo existem.
Nos casos de condicionais com antecedentes ou consequentes complexos, aplica-se a mesma distinção que já introduzimos anteriormente: para que se aceite uma condicional verdadeira como relevante é necessário que a sua antecedente possa ser verdadeira e que a sua consequente possa ser falsa. As duas condicionais anteriores são verdadeiras e relevantes, mas as duas seguintes não são relevantes, apesar de serem verdadeiras:
1. Se o mundo exterior existe e o mundo exterior não existe, Deus existe.
2. Se Deus existe, então o mundo exterior existe ou o mundo exterior não existe.




CONCLUSÃO
De uma forma conclusiva depois de um aárdua investigação a cerca deste tema que é muito pertinente, temos a dizer:
A argumentação tem como objetivo levar um indivíduo ou grupo a aderir a determinada tese (defendida pelo argumentador, por motivo de familiarização ou até mesmo por próprio capricho). O texto argumentativo deve possuir uma clareza na transmissão de idéias (concisão), podendo tratar de temas, situações ou assuntos variados. É constituído por um primeiro parágrafo curto, que deixa a idéia clara, depois o desenvolvimento deve referir a opinião da pessoa que o escreve, com argumentos convincentes e verdadeiros, e com exemplos que exemplifique uma confiabilidade e persuasão. Deve também conter contra-argumentos, de forma a não permitir a meio da leitura que o leitor os faça. Por fim, deve ser concluído com um parágrafo que responda ao primeiro parágrafo, ou simplesmente com a idéia-chave da opinião.
A argumentação surgiu em 427 a.C., na Grécia Antiga. Era denominada Retórica. Argumentar é a arte de convencer e persuadir. (persuadir+Argumentar=Convencer).
Falando da proposição, muitos filósofos e linguistas alegam que a noção de proposição é muito vaga ou inútil. Para eles, é apenas um conceito enganador que deve ser removido da filosofia e da semântica. Quine que a indeterminação da tradução impede qualquer discussão com sentido de proposições, e que as mesmas devem ser descartadas em favor das sentenças.
Todavia, como em réplica diz Alvin Plantiga (em The Nature of Necessity, Oxford:Clarendon Press,1974): "Na medida em que a alegada debilidade [a falta de um claro critério de identidade] pode tornar-se toleravelmente clara, trata-se de uma debilidade que proposições compartilham com eléctrons, montanhas, guerras -- e sentenças."
Na lógica chamada aristotélica ou tradicional, distingue-se proposição de juízo. A proposição é o enunciado verbal de um juízo -- tal como o termo é a expressão verbal de um conceito. A proposição é... uma sequência de palavras; o juízo é uma operação intelectual -- uma asserção afirmativa (Dostoievsky é um escritor russo) ou negativa (Não há bem que sempre dure), verdadeira ou falsa [na Lógica não são consideradas as frases interrogativas, as imperativas ou as vocativas/exclamativas, porque aquilo que expressam não pode ser considerado verdadeiro ou falso. Ex.: Vem cá! ou Quantos anos tens?]